terça-feira, 19 de maio de 2009

O preço da chamada

Que São Paulo é uma cidade cinzenta e desigual, todo mundo sabe. Mas o pior – ou no meu caso, o mais interessante – é ver como os pobres gastam mais que os ricos em praticamente tudo. Dá pra começar falando da telefonia celular: é um grande negócio ter um celular pré-pago, porque se você não carregá-lo com créditos, ele não funciona, e não chega uma conta na sua casa ao final do mês.

Não vou entrar no mérito de o celular pré-pago ser algo bom ou não, mas ele é claramente direcionado às camadas mais baixas (as que compram celular barato também), provavelmente pessoas que recebem no máximo uns 3 salários mínimos por mês. A diferença de preço entre o minuto da chamada no pré-pago e no pós-pago chega a 150% - é só pesquisar nas tarifas de qualquer operadora. O cara que já tem grana e pode pagar uma mensalidade paga muito menos por minuto do que aquele que gasta o pouco que tem no celular – e faz praticamente uma chamada de luxo, que beira os R$1,50 por minuto.

Isso ocorre por causa da proporção de renda. É a grande quantidade de celulares pré-pagos e recargas de R$10,00 que bancam todo o serviço e dão lucro às empresas de telefonia. E quem ganha com isso é justamente quem tem condições de pagar um plano mais caro (e dependendo do plano ainda pode levar um BlackBerry novinho de “graça”).

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